Ballet de Repertório – Giselle 1841


História

Criado em 1841, ‘Giselle’ foi a segunda obra dentro do estilo romântico, precedida por ‘La Sylphide’, de 1832. Trata-se de uma tragédia envolta numa atmosfera misteriosa e sobrenatural, que está na origem do Movimento Romântico. É uma obra que vem encantando o público há mais de um século e meio, e constitui-se em um ponto de referência na história da dança.

‘Giselle’ nasceu a oito mãos: do escritor Theóphile Gautier, do libretista Vernoy de Saint-Georges e da vivência dos coreógrafos Jean Coralli e Jules Perrot. A obra reflete uma nova estética e um novo conceito cênico: o drama-ballet, em que elementos do teatro se harmonizam com a dança. O resultado é um balé suave e ousado, em acentuados contrastes, que contrapõem o primeiro ao segundo ato. De um lado, o realismo do cotidiano. Do outro, seres incorpóreos e imateriais. A música foi composta por Adolphe Adam em apenas três semanas. Em 1965, o coreógrafo inglês Peter Wright criou a versão de Giselle que se tornaria uma das mais encenadas da atualidade, integrando o repertório das maiores companhias clássicas do mundo como o Royal Ballet, Royal Birmingham Ballet, Ballet de L´Opera de Paris, American Ballet Theater e o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, entre outros.

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Uma obra de amor mistura realidade e fantasia

Em uma pequena aldeia de camponeses, vive Giselle, jovem doce e humilde. No dia da festa da vindima, o fim da colheita da uva, a alegria de seu coração puro conquista o amor do duque Albrecht. Apaixonado, ele se veste de camponês e faz a corte à moça. Giselle, que acredita tratar-se apenas um rapaz da vila chamado Loys, apaixona-se por ele. Devido às diferenças sociais e por ser o noivo de Bathilde, a filha do Duque de Courland, esse amor jamais se realizará. Mesmo assim Albrecht mantém a farsa, alimentando as esperanças da jovem.

Entra em cena Hilarion, o jovem guarda-caças da vila, que também está loucamente apaixonado por Giselle. Ele tenta interromper o idílio, lembrando seu amor por ela. Mas Giselle, apaixonada por Loys, repele Hilarion, juntando-se alegremente às suas amigas e companheiros.

A chegada de uma grande comitiva de caça, encabeçada pelo Duque de Courland e sua filha Bathilde dá a Hilarion a oportunidade para se vingar, desmascarando seu rival durante a festa da aldeia, em que a jovem amada é coroada rainha da colheita. Surpreendida pela verdade sobre seu amado, Giselle, amargurada pela desilusão, começa uma dança frenética, enlouquece e suicida-se com a espada de Albrecht. Assim, termina a primeira parte.

O segundo ato começa em meio a uma clareira na floresta, à meia noite, com árvores retorcidas e uma atmosfera de suspiros e lágrimas, se passa o baile mágico da Willis, espíritos de moças que morreram antes do dia do seu casamento. Para vingar-se, elas se reúnem e obrigam os rapazes que encontram pelo caminho a dançarem até a morte.

Neste lugar, Hilarion está de vigília na sepultura de Giselle. Surge uma sombra transparente e pálida. É Mirtha, a rainha das Willis. Em seguida surgem outras Willis, que se agrupam graciosamente em torno dela. Então, elas tiram Giselle de sua sepultura para iniciá-la em seus ritos. Albrecht chega trazendo flores e Giselle surge para ele, que tenta pegá-la, mas ela desaparece e ele sai à sua procura.

Neste momento, Hilarion é pego pelas Willis. Mirtha, a rainha, ordena que ele dance até à exaustão. As Willis começam então uma orgia alegre, dirigida por sua rainha triunfante, quando uma delas descobre Albrecht e o traz para o círculo mágico. Mas no momento em que Mirtha vai tocá-lo, Giselle se lança na frente de Albrecht, protegendo-o com a cruz de seu túmulo, até o momento em que surge a aurora, quebrando o poder da Willis.